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Quanto vale sua joia? Fundição, revenda e varejo

Atualizado 2026-09-11 · 7 min de leitura

A resposta curta

Uma joia tem três valores, não um. A fundição é só o metal: peso vezes teor vezes cotação por grama. A revenda é o que um comprador paga hoje, em geral de 20 a 40 por cento do preço original num anel de diamante moderno. A reposição no varejo é o que uma loja cobraria por um equivalente novo.

Três números, e por que eles discordam

Perguntar quanto vale uma peça é, na verdade, fazer três perguntas, e as respostas podem diferir em cinco vezes sem que nada esteja errado.

  • Fundição é o valor do metal caso a peça deixasse de ser uma peça: peso, teor e a cotação atual. É um piso, não um preço.
  • Revenda é o que um comprador pagaria por ela hoje, do jeito que está, num mercado real, com a concorrência real das peças novas.
  • Reposição no varejo é o que uma loja cobraria de você pelo equivalente mais próximo, novo, no balcão, com impostos e margem embutidos.

Um anel comprado por 5,000 pode ter 400 de fundição, ser vendido em particular por 1,500 e custar 5,500 para repor. Os quatro números podem estar certos ao mesmo tempo. O erro é pedir a alguém o valor e depois tratar o número que chegar como sendo o valor.

A fundição é o único número com conta por trás

O valor de fundição é o peso em gramas, multiplicado pela fração de teor, multiplicado pela cotação por grama. O ouro é cotado por onça troy, e a onça troy tem 31,1035 gramas, então divida o preço cotado por 31,1035 para chegar ao valor por grama.

Pegue uma aliança lisa de 18 quilates pesando 6 gramas. Teor 750 significa 0,75 de ouro puro, ou seja, a peça contém 4,5 gramas de ouro fino. Se o ouro estiver cotado a 2,400 dólares a onça, isso dá 77,16 dólares por grama, e o valor de fundição fica em torno de 347 dólares. As mesmas 6 gramas em 9 quilates contêm 2,25 gramas de ouro e rendem cerca de 174 na fundição.

Duas correções nesse número. As pedras não entram na conta: o comprador que trabalha por peso desconta uma estimativa por tudo que estiver cravado, ou pede que as pedras sejam retiradas antes. E ninguém paga a fundição cheia. Quem compra sucata guarda uma margem para refino, ensaio e risco de preço, então espere uma oferta na faixa de 70 a 90 por cento da fundição num comprador de ouro comum, e bem menos numa casa de penhor. A fundição é aritmética; a oferta é negociação.

Revenda: o que o comprador de fato paga

Num anel de diamante moderno, de produção em escala, o preço de revenda costuma ficar entre 20 e 40 por cento do que ele custou novo. Isso não é escândalo, é a estrutura do ramo. O preço de varejo que você pagou incluía a loja, os funcionários, o estoque parado na vitrine, o marketing, a garantia e os impostos. Nada disso volta. E seu anel usado ainda concorre diretamente com um idêntico e novo a cem metros dali, num público pequeno de gente que procura anel de noivado de segunda mão.

Algumas peças ficam bem acima dessa faixa. Trabalhos assinados por Cartier, Tiffany & Co. ou Van Cleef & Arpels retêm uma parcela muito maior do varejo, porque o nome é o próprio mercado. Peças de época em estado original, pedras coloridas naturais, diamantes grandes e finos com laudo de laboratório e ouro maciço e liso — em que a fundição estabelece um piso firme — seguram valor melhor.

Outras ficam abaixo. As pedras centrais de laboratório despencaram no mercado primário e hoje quase não têm mercado secundário; o comprador precifica a montagem e trata a pedra como enfeite. Pedras miúdas de melê abaixo de mais ou menos 0,30 quilate quase nada acrescentam a um valor de revenda. Peças de moda em metal comum folheado têm valor apenas decorativo.

Reposição no varejo, e o que a seguradora quer

Reposição no varejo é o custo de entrar numa loja e comprar o equivalente mais próximo, novo. É o mais alto dos três números, com frequência de duas a quatro vezes a revenda, e é em torno dele que as apólices de seguro são escritas, porque a maioria repõe o bem em vez de entregar dinheiro.

O que uma seguradora aceita é uma avaliação por escrito, feita por um avaliador credenciado que teve a peça diante de si com lupa, paquímetro e balança, e que assina o documento. Uma estimativa feita a partir de uma fotografia — pelo Carat ou por quem quer que seja — é um ponto de partida para essa conversa e uma forma de saber mais ou menos onde você está antes de pagar pelo tempo do avaliador. Não é o documento, e nenhuma ferramenta honesta vai dizer o contrário.

O que levanta uma peça acima do metal dela

Coisas que realmente somam dinheiro:

  • Uma pedra central com laudo de classificação de laboratório, de preferência o original e, também de preferência, acima de um quilate.
  • A assinatura de um fabricante reconhecido, com punção compatível, e não apenas um estilo que lembra uma casa famosa.
  • Idade com estado original intacto: cravações não mexidas, pedras originais, nenhuma substituição moderna.
  • Caixa, papéis e nota fiscal originais numa peça de grife, que mudam o preço de forma visível.
  • Cor natural incomum numa pedra, e tamanho: o valor por quilate sobe depressa, então uma pedra de 2 quilates ganha com folga de quatro de meio quilate.

Coisas que não somam nada, por mais que pareça que deveriam: história de família sem documentos, o preço pago na compra, uma avaliação antiga escrita para fins de seguro e o peso em quilates sozinho numa pedra de cor, pureza ou lapidação ruins. Sobre como se julga a qualidade de uma pedra, veja como saber se um diamante é verdadeiro.

Onde vender, e quanto cada canal tira

CanalQuanto costuma sobrarPrazoServe para
Comprador de ouro ou refinaria70–90% da fundiçãoNo mesmo diaCorrente partida, brincos avulsos, 9 quilates, sem pedras
Casa de penhorAbaixo da fundiçãoNo mesmo diaDinheiro de curto prazo, não uma venda
Joalheiro local, compra diretaDa fundição a uma revenda modestaDiasPeças modernas em condição de uso
Joalheiro em consignaçãoRevenda menos 20–40% de comissãoSemanas a mesesPeças que precisam de vitrine
Venda particular pela internetA maior revenda, menos taxas de plataforma perto de 13%SemanasMarcas reconhecíveis, pedras com laudo
Comprador especializado on-lineOferta firme, abaixo da venda particularDiasAnéis de diamante, certeza de preço
LeilãoMartelo menos 15–30% de comissão do vendedorMesesPeças assinadas, antigas, grandes ou raras

Dois hábitos valem mais do que qualquer decisão isolada. Consiga pelo menos três ofertas, porque a diferença entre compradores para a mesma peça é grande. E nunca aceite um valor cotado antes de a peça ser pesada na sua frente.

O que fecha um número

Três medições fazem quase todo o serviço. O peso, numa balança de joalheiro e não de cozinha. O teor, por XRF ou teste de ácido, se não houver punção em que você confie. E, para qualquer pedra relevante, um laudo de classificação de um laboratório como GIA ou IGI. Com esses três, a fundição vira aritmética e a revenda vira uma busca por vendas concluídas de peças de fato comparáveis — preços de venda, nunca preços de anúncio.

Sem eles, todo número é estimativa, inclusive os que saem de uma fotografia. É por isso que o Carat devolve faixas de fundição, revenda e varejo com as vendas em que elas se apoiam, em vez de um número único e confiante, e não dá número nenhum quando a evidência não sustenta. Use uma estimativa para decidir se a peça merece o tempo de um profissional. Use o profissional para decidir o que fazer com ela.

Perguntas comuns

Como calculo o valor de fundição do meu ouro?

Pese a peça em gramas, multiplique pela fração de teor indicada na punção — 0,375 para 375, 0,585 para 585, 0,75 para 750 — e depois multiplique pela cotação do ouro por grama, que é o preço por onça dividido por 31,1035. Desconte o peso das pedras antes de começar.

Por que ninguém paga o que meu anel custou?

O preço de varejo inclui loja, funcionários, estoque, marketing, garantia e impostos, e nada disso sobrevive à revenda, além de seu anel concorrer com os novos. Um anel de diamante moderno, de produção em escala, costuma ser revendido por 20 a 40 por cento do preço original.

Diamantes de laboratório valem alguma coisa de segunda mão?

Muito pouco, hoje. Os preços no mercado primário caíram forte e o mercado secundário para eles é raso, então a maioria dos compradores precifica a montagem e trata a pedra como decorativa. O metal do engaste costuma ser a parte confiável do valor.

Devo vender minha joia como sucata?

Só se a peça estiver quebrada, fora de moda, com teor baixo ou sem pedras que valham a pena guardar. A sucata ignora projeto, fabricante, idade e gemas por completo. Se houver qualquer chance de a peça ser assinada ou antiga, mostre-a a alguém antes que alguém a pese para fundir.

Um aplicativo pode dizer quanto vale minha joia?

Ele pode dar faixas estimadas. O Carat informa fundição, revenda e varejo separadamente, com as vendas recentes e os preços de metal por trás delas, e segura o número quando a evidência é fraca. Para seguro, você continua precisando de uma avaliação por escrito de um avaliador credenciado.

Um conserto reduz o valor?

Depende da peça. Num anel moderno, um conserto bem-feito por uma boa bancada pouco importa. Numa peça antiga ou assinada, pedras substituídas, garras refeitas e soldas posteriores ficam visíveis para um especialista e reduzem o que um colecionador vai pagar.